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sexta-feira, 18 de março de 2011

Still



Ainda converso contigo.
Saio, vejo novas pessoas, novos e velhos amigos, mas no regresso ou quando me encontro sozinha ainda teço longas conversas me recordando de quem você foi pra mim e me recordo da mulher feliz que fui.

Hoje encontro poucos traços daquela mulher doce, que permitiu-se ser delicada, abraçando projeções (interessante a expressão) que acreditava serem certeiras, absolutamente concretizáveis pela primeira vez e viu tudo ruir com a realidade de que ninguém, absolutamente ninguém e perfeito e nada é certo nesta vida.

Ainha há pouco, no banho, me recordei daquela brega canção de amor de Lionel Ritchie dos anos 80, "Still". Dei risada embaixo do chuveiro tentando compreender o por que desse insight risível e de ainda pensar em nós.

Nessas conversas que tenho contigo vejo que não amei alguém que conhecia (difícil isso acontecer, pois nem sequer nos conhecemos toda uma vida) e que neste momento não somos mais os mesmos, portanto nada do que eu diga a você, você entenderá. Estou a léguas de distância de você fisicamente, de quem fomos, de quem somos e de quem sou hoje.

Esbarro ainda na beleza de detalhes. Tenho uma memória auditiva, visual e olfativa muito forte e lembro de trejeitos seus, sons que emitia com frequência e de seu cheiro... Dói , e a dor é profunda nessas horas. Despisto, converso, leio e a cadência diminui.

Interessante como "saber" nos torna inacessíveis para nós mesmos e para o mundo.
Entender Bahktin, ouvir jazz ou qualquer tipo de música pouco acessível e amar Abbas Kiarostami não me tornou uma pessoa melhor. Me distanciei da sociedade, dos mortais, daqueles que apenas vivem e se deixam viver. Não consigo me relacionar com pessoas "normais" e esse aspecto meu me irrita. Poderia gostar de algo popular, tomar a pior cerveja e ler livros de auto ajuda... talvez fosse mais feliz.

Irrita-me os últimos posts deste blog, onde ora me dilacero e ora tento despistar a dor com posts culturais em busca de voltar ao cotidiano necessário. 

Não me sinto de fato infeliz, sinto apenas que infelizmente embruteci como pessoa e que grande parte da sensibilidade despertada por você em mim, que era o que classifiquei como o último suspiro dessa possibilidade, foi-se com a sua decisão em partir.

Você partiu, naturalmente como uma planta que nasce, floresce e morre - ou como a ordem natural das coisas para tudo nessa vida. Difícil é ter provado de algo tão belo e intenso e sentir que nada do que se possa fazer trará esse frescor novamente.

Há um tempo para tudo nesta vida, acreditamos... mas o que ficou pelo caminho nos faz perder a inocência outrora vivida e essa jamais é recuperada, nem se quisermos.

Segue para o universo essa dor que ora comparece, ora se alivia com as perspectivas de algo que nem sei bem o que é, mas me faz viva enquanto eu possa viver.

Há dois dias tento escrever um post sobre o Vincent D´Onofrio, ator que gosto e aprecio muito suas performances em "A Cela", "Feliz Coincidência" e "Law&Order - Criminal Intent". A inspiração veio e se foi com o cair da noite.

Tudo passa?

Um comentário:

Felipe Edoardo disse...

Acho que amor não se esquece realmente, se enterra embaixo do tapete. Tudo começa e termina, mas achar que alguém que nos tocou o coração um dia realmente será como qualquer outro na nossa lembrança - ilusão.