Seguidores

sábado, 5 de maio de 2012

"Shame" e o Modus Operandi do homem contemporâneo.


Michael Fassbender representa o "homem" contemporâneo em "Shame"de Steve McQueen.
Assim como a arte contemporânea, ou pós-moderna o homem não entende-se mais como parte construtiva de uma sociedade que é sugada pela tecnologia e tudo que ela propõe e que está a sua mão.

A identidade cultural no que se refere a "fibra ótica", o desenvolvimento de produtos e a falta do contato humano... - sim, o homem procura a frieza da máquina, não sabendo mais como lidar com o caos que ele mesmo criou ao se relacionar com o outro da mesma espécie.

Homens e mulheres bonitos, talentosos e bem sucedidos presos em fantasias que criam para si mesmos para suportar a dor, uma dor que nem eles mesmos conseguem compreender a origem.

Apartamentos belos, o branco e preto, poucos móveis (salve Le Corbusier), geladeira vazia, um notebook e sexo pelo sexo como um vicio sem fim?

Onde está a vergonha nisso tudo? Nem Fassbender, nem McQueen, nem eu, nem você sabemos... tantas coisas levaram as outras que de fato se perdeu onde tudo se originou.

Uma doença, não sei. Solidão declaradamente degustada e procurada, não sei.

Quando o real chega a tocá-lo o traquejo some, o glamour some e o sexo também.

O homem que procura ser máquina já se sinalizava há tempos e a concorrência de mercado
e a equiparação da mulher com o estilo, mostra esta também procurando esse posicionamento...

Só há algo que não conseguimos fugir, mas também não conseguimos solucionar - a solidão.

Tantas perguntas, mas a velocidade dos dias nos tira do prumo o suficiente para nos mostrar que tudo é mais importante do que buscar respostas. Tudo vem antes, inclusive o sorriso de bom dia para aqueles que nos cobram estar sempre bem. Até os que buscam uma vida mais saudável sofrem, já dizia Gustavo Tareto em "Medianeras" -  “A vida saudável é estressante”. As pessoas vão mergulhar buscando contar as voltas e não desanuviar a mente.

Cada um procura desopilar a sua dor à sua forma, Brandon escolheu o sexo, alguns o consumismo, outros a fé fundamentalista, outros o simples for fun tudo para suportar a pseudo consciência da dor de ter nascido só, que morrerá só e a certeza de que não importa quando nasceu, mas morrerás, só não sabe-se como, quando, por que e o que fazer com o tempo que tem-se aqui.

Enquanto isso a sociedade cobra que sejamos perfeitos e a pregação utópica de um amor pouco existente em si mesma, portanto como cobrar de nós?

Flusser, obrigada.






Nenhum comentário: