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quinta-feira, 17 de maio de 2012
Bom dia, noite.
Vejo a cidade do quarto andar, calma a merce da chuva e da paisagem parcialmente bucólica na madrugada... Pessoas calmas e afoitas passam em busca de abrigo ou de fuga. Observo calmamente o dia amanhecer entre livros, álcool, água e coca-cola, finalizando com café e um sorriso, observando ainda a arquitetura confusa e irregular em janelas que aos poucos se acendem com as luzes de quem dormiu e acordou, acompanhado ou não nos braços de morfeu. Bom dia, noite.
Sem título
Quando o sol evidenciar que amanheceu, seremos todos iguais, quase números para tantos lugares e pessoas. Enquanto a noite está presente somos nós, em pele, dor e quaisquer coisa que queiramos. A noite é para "ser", o dia é para quase que infelizmente "fingir".
sábado, 5 de maio de 2012
"Shame" e o Modus Operandi do homem contemporâneo.
Michael Fassbender representa o "homem" contemporâneo em "Shame"de Steve McQueen.
Assim como a arte contemporânea, ou pós-moderna o homem não entende-se mais como parte construtiva de uma sociedade que é sugada pela tecnologia e tudo que ela propõe e que está a sua mão.
A identidade cultural no que se refere a "fibra ótica", o desenvolvimento de produtos e a falta do contato humano... - sim, o homem procura a frieza da máquina, não sabendo mais como lidar com o caos que ele mesmo criou ao se relacionar com o outro da mesma espécie.
Homens e mulheres bonitos, talentosos e bem sucedidos presos em fantasias que criam para si mesmos para suportar a dor, uma dor que nem eles mesmos conseguem compreender a origem.
Apartamentos belos, o branco e preto, poucos móveis (salve Le Corbusier), geladeira vazia, um notebook e sexo pelo sexo como um vicio sem fim?
Onde está a vergonha nisso tudo? Nem Fassbender, nem McQueen, nem eu, nem você sabemos... tantas coisas levaram as outras que de fato se perdeu onde tudo se originou.
Uma doença, não sei. Solidão declaradamente degustada e procurada, não sei.
Quando o real chega a tocá-lo o traquejo some, o glamour some e o sexo também.
O homem que procura ser máquina já se sinalizava há tempos e a concorrência de mercado
e a equiparação da mulher com o estilo, mostra esta também procurando esse posicionamento...
Só há algo que não conseguimos fugir, mas também não conseguimos solucionar - a solidão.
Tantas perguntas, mas a velocidade dos dias nos tira do prumo o suficiente para nos mostrar que tudo é mais importante do que buscar respostas. Tudo vem antes, inclusive o sorriso de bom dia para aqueles que nos cobram estar sempre bem. Até os que buscam uma vida mais saudável sofrem, já dizia Gustavo Tareto em "Medianeras" - “A vida saudável é estressante”. As pessoas vão mergulhar buscando contar as voltas e não desanuviar a mente.
Cada um procura desopilar a sua dor à sua forma, Brandon escolheu o sexo, alguns o consumismo, outros a fé fundamentalista, outros o simples for fun tudo para suportar a pseudo consciência da dor de ter nascido só, que morrerá só e a certeza de que não importa quando nasceu, mas morrerás, só não sabe-se como, quando, por que e o que fazer com o tempo que tem-se aqui.
Enquanto isso a sociedade cobra que sejamos perfeitos e a pregação utópica de um amor pouco existente em si mesma, portanto como cobrar de nós?
Flusser, obrigada.
Eco
O poema não deseja nem requer pausa,
Ele desafia as leis do tempo, da distância como se atemporalmente contaminasse ou absorvesse - o que, como, não sei.
Não se sabe se assim continuará, mas ele procura nos cantos mais minuciosos nossos o que ele deseja explicitar... Ele incomoda, fere, cutuca, toca e nos toma de assalto como um susto de algo bom ou ruim.
Assim ele continua, sem pausa, sem dividas consigo ou com ninguém.
A vida corre, e tudo o que a adentra é visceralmente tratado por ele.
Ele nos observa à espreita, nos ferve em graus imensuráveis e nos consome com seu instinto sem precedentes.
Nos socorre nas horas de aflição, unindo a mente e as mãos como sábias condutoras em momentos de angústia.
O poema é o eco do sentimento
Nos fazendo atravessar a vida de pés descalços, ora na areia fofa de uma praia e ora por cacos de vidro nos dilacerando.
Venha, me atropele, me sugue, leve de mim o que não consigo nem dizer a mim mesma, agora ou em outro qualquer momento; me ponha em contato com essa singularidade possivelmente enxergada por todos e mal compreendida por mim mesma; leve-me pra longe daqui, pra onde desejas, mas para longe...
Me ponha em contato com o que não vi, com o que anseio de qualquer coisa que eu não saiba, e que só você poderá me levar...
Braços humanos são traiçoeiros, retóricos, erráticos... os seus me ferem tão diferentemente do que o que é de carne e osso...
Quero sentir-te perto,
eloquente,
visceral,
contagiante,
como me desejo ora sim, ora não
Irremediavelmente viva.
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