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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Aqui



Estou no 11 andar de um prédio na Vergueiro.
Observo a cidade que se move, os carros, o trânsito, os arranha-céus.
Acendo um cigarro que me conforta. Vendo o no início sinto que tenho um tempinho pra mim.
Bem a minha frente vejo um prédio com uma tv ligada. Me esforço pra ver o que passa na tv, mas está longe, não consigo.
Sem querer passo a mão no meu corpo, mais especificamente em minhas nádegas... a calça está frouxa...sinto-me mais magra. Sorrio, parece engraçado, ao menos um pouco.

A cidade toda se move e a observo, parada, esperando uma atitude minha, mas não consigo.
Tudo parece ter escorrido das mãos sem que eu pudesse estender a mão e puxar. Procuro pensar que deve ser normal e tento esboçar um sorriso que quase sai ou quase fica.

Não sei se é tristeza ou desalento. Acho que talvez seja desorientação.
O metrô parece cheio, são 18h39. Nem penso em entrar nele.

Continuo a observar o movimento, o cigarro está acabando e tento bolar um plano para entrar para o escritório e fazer o que é necessário. Planos... planos... essa palavra não me incomoda, mas me pede algo que não posso dar agora.

Dias, meses, anos... quanto tempo isso durará.
Deveríamos acordar depois das incertezas passarem, mas como fazer isso?

Saber talvez não seja bom, a ignorância neste momento é a palavra de ordem. Saber é perigoso, explicações são perigosas. A fragilidade que tenho em mim hoje não permite tal atitude.

Atitude...
Tudo parece pedir-me algo que não sei como dar.

Dar...
Ceder
Sentir
Proporcionar

Tudo muito lindo, mas uma vez feito, não temos como voltar atrás.

Voltar atrás.
Como?

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