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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Fluoxetina






Falei bastante nela esse final de ano, e não é pra menos.

Não tomei, mas desejei muito.

Estou avessa a qq tipo de comprimido, mas a idéia do que ela me traria, mesmo que quimicamente me agrada.
Muitos falam em depressão, e usam essa palavra de forma relaxada sem conexão com o que realmente essa doença carrega.

Conheço deprimidos e pessoas com síndrome do pânico e sei o quanto isso é triste. Pessoas com potencial, criativos, inteligentes - mas parece que quanto mais se sabe, maior é a inconformação com s dúvidas que essa era de velocidade traz.

Tudo é urgente: ser feliz, ter dinheiro, ter um bom emprego, ter uma família... tudo. Mas o quanto a vida torna tudo isso difícil de se ter, com suas atribulações e dificuldades para que isso acabe se protelando.

Buscamos um bom emprego para dar chance a tudo isso acontecer. Estudamos muito, nos formamos e quando isso acaba, sempre parece que as etapas maiores estão por vir... Parece não, é assim.

Me preocupo com o tempo pra decantar tudo isso, pra fazer as escolhas certas. Essa velocidade que obriga a vc ser assim, caso contrário vc está fora do jogo, me desafia e me desmotiva ao mesmo tempo.

Como ser bom em tudo?
Gosto do que faço?
O que faço está sendo bom pra mim e pras pessoas ao meu redor?
O quanto de mim fica no trabalho e o quanto vivo pra desfrutar das minhas escolhas?
Que escolhas?

Pensamos ter a vida toda pela frente, e quando nos damos por conta, os "enta" estão mais próximos e aquela coisa "relax", "garotada" que temos, parece desfocar ou tornar nebuloso o horizonte do qual falávamos quando tinhamos 20 anos.

Acreditei que tudo seria diferente aos 37 anos e isso me incomoda tanto, que acorda comigo todas as manhãs.
O duro é que o dia tem 24 horas, a vida não escolhe a hora pra dar as respostas, nem sempre ela dá as que queremos e empreendemos para ter, e assim caminha a humanidade 3.0.

Não aprecio a vagarosidade da vida, mas aprecio viver.
E não, não tomei, nem quero tomar a fluoxetina.

Heim?

Quem me disser que 2010 foi um ano bom eu mato. Sim, falo no pretério porque pra mim ele acabou, preciso que ele acabe.
Ano difícil, atribulado.
Taurinos são pé no chão, elemento terra, gostam do acerto e nada de oscilações. 2010 colocou minha vida de ponta cabeça me mostrando saídas sem portas nem janelas, enquanto meu coração sempre tentava (e tenta) manter-se cheio de esperança.
Poucas coisas entraram nos eixos e as que estavam, sairam e ainda não conseguiram lugar.
Acreditei mesmo que a essa altura da minha vida muita coisa estivesse acertada, me proporcionando um pouco de tranquilidade. Rogo que 2011 traga um pouco disso.
Este post não tem foto, não tem título decente, e tem pouco conteúdo, assim como o ano que se vai.
2010 me deixou um vazio complicado de preencher, lacunas dificeis de preencher e perguntas ignoradas.

Deve haver um porque.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

As surpresas



Elas nem sempre são boas e, sem perceber podemos aprender muito com elas.
Os sorrisos, as palavras, os gestos, os telefonemas que acontecem do nada nos revelam pessoas boas que se transformam em transtornos e as que imaginávamos ruins em bons presentes.
Meus dias tem sido assim, de altos e baixos, mas os altos confesso que foram boas surpresas.

Há companhias que estão na sua vida por muito tempo e continuam surpreendendo. Pessoas que estão prontas pra longos papos e sempre dispostas a desanuviar situações de forma tão suave que nos deixam sorrisos no rosto como se dessem um "save" no final da conversa.

Costumo ser assim para alguns amigos, mas tenho um que, apesar de nos posicionarmos diferentes em tantos aspectos na vida, sempre que nos encontramos de fato, o papo toma proporções profundas, amplas, e os sorrisos são mais que surpresas, são presentes.

Meu irmão é assim. Sempre me surpreende com longas conversas me elucidando de quem sou e me recordando de tudo o que sei  - isso é mais que um presente.

A janela de seu quarto sempre aberta, um cigarro aceso, boa música e frutíferas palavras me fazem recordar quem sou, de onde vim, minhas vitórias e todo o conhecimento acumulado. Do lado de fora o bosque repleto de árvores, a noite que o cobre, assim como suas palavras de conforto e carinho.

A vida passa, tudo passa, mas você sempre fica.
Obrigada por essa noite e por tantas outras nesses anos passados.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Um vinho, o artigo e um repentino bem estar

Parei o artigo um pouco para escutar Lisa Ekdahl, abrir um vinho e fumar um cigarro propicio para essas situações... e fui acometida por um bem estar repentino.

Enquanto rola o SWU, Bienal e outras coisas q ainda não fui ver, ou não poderei ver, fico aqui com os meus botões me possibilitando ser feliz como dá...rs...

Fico viajando imageticamente por lugares que quero muito ir, como Estocolmo (ouvindo a Lisa, que é sueca e pensando na literatura de lá e música que tanto me agradam...) e imaginando onde a vida deliciosamente ainda me levará.

Há bastante vinho ainda... acabei de abrir a garrafa. A viagem demorará pra acabar. rs.



Enquanto o tempo não passa

Nessa narrativa de 1996, o autor maranhense Josué Montello nos fala de como nos posicionamos como herói ou vítima na nossa história. Ele falava da dele, e óbvio, nos espelhamos na nossa enquanto ele disserta sobre si.

Sempre me coloquei como heroína, para não olhar para trás e me contentar com o que houve, me encostar no hoje e esperar o amanhã. Ta aí, esperar... algo em que não sou nada boa.

Não se trata de imediatismo e sim de objetividade, de decisão.

Quando quero algo, caminho ao seu encontro cegamente com o passar dos dias, para que o objetivo não se perca entre tantas atribulações, sugeridas pelo cotidiano.

O único traço disso tudo que não podemos modificar é a atuação alheia dentro dos nossos objetivos. Eles se desenham como desejam, e as vezes, temos que esperar para ver onde tudo vai dar, mesmo fazendo a nossa parte.

Ainda temos que contar com a mudança de planos alheia, já que não sabemos tudo o que se passa na cabeça das pessoas.

Enquanto o tempo não passa, fico com as minhas certezas, em busca de oportunidades para mostrar e dizer o que desejo quando me for dada a chance.

Quanto aos demais envolvidos... isso só eles poderão me dizer.




domingo, 10 de outubro de 2010

Coisas que detesto


A cara de pau do Jorge Vercilo e sua voz enjoada... Ele insiste em tentar ser Djavan e não consegue
Domingo
Domingo chuvoso e frio
Não ter quase nada pra fazer
Ter a cabeça vazia
Ver filme pipoca no Cinemark
Axé music
Pagode
Sertanejo
Som muito alto no cotidiano (tudo tem sua hora)
Pagodeiro e sertanejo que ouve som no celular nos coletivos
Bandas que regressam dos anos 60,70,80 para revivals por causa de grana
Pessoas que resmungam o tempo todo
Minha fácil indisposição para escrever que de repente some e fico super criativa
Esperar um torpedo que não vem
Acordar cedo
PDFs com proteção
Meu gato quando acorda as 3 da manhã me chamando pra fazer xixi
Homem bêbado
Controle remoto que não funciona e vc está distante pra mudar o canal
O porque de a vida não ter um ctrl z
Ainda não ter carro
Ficar no F5 o dia todo e a mensagem não chegar
Correntes por mail
Indelicadezas
Ficar sem beijar por muito tempo
Não ter grana para ir aos shows que quero
A politica brasuca
Ladrão
A forçação de barra dos Legendários, Pânico e outros do mesmo formato ... já deu, né gente!
A falta de paciência que tenho, as vezes com a vida, comigo e com o meu semelhante
A paciência que as vezes tenho que ter com o meu semelhante

sábado, 9 de outubro de 2010

Bergman e eu



Na semana em que resolvo retomar o cinema em minha vida, você reaparece, me contando mais sobre você. 
Ganhei "A ilha de Bergman", num momento em que tudo era caos em minha vida. Sequer havia tempo para dormir. Hoje vejo que não vivo sem esse caos, que pra mim é muito produtivo.

O filme em pouco tempo traz esta frase: "O demônio não gosta de ar fresco. Ele gosta que você fique na cama com medo".

Sentei-me no sofá e tive que voltar o filme algumas vezes, pois não poderia, você, de quem estava afastada há algum tempo retratar ou me cutucar de algo que estava tão presente em minha vida neste momento. O ócio, nada criativo, alimentado pela angústia e apatia. O tudo e o nada? Bi polaridade? Talvez. Mas os altos e baixos devastadores sempre foram presentes na minha "história". 

Foi com você, Bergman, que aprendi que para se arrepender não importa a idade, como em "Morangos Silvestres", 

Sobre a dor de ser mulher, estar entre elas e como insandecidamente rejeitar um homem que não desejo em: "Gritos e Sussurros", 

São tantos sabores e dissabores. Assistindo a você falando de si em "A ilha de Bergman" vejo um homem valioso redimindo-se de seus erros, suas tristezas, sua arrogância, sem pudores. 

Você se foi e cá estou com meus fantasmas (prefiro nomear assim, rs). 
Prometo me arejar para não mofar meus pensamentos.

Com amor
Simone



E a vida se refaz, como diria Marcus Viana



Esses dias, nas madrugadas silenciosas em que perco a hora para dormir, me recordei de uma canção dos anos 80, tema da novela Marrom Glacê na voz do baliarinho e cantor, o falecido Ronaldo Resedá. O clipe trash (ele bailando em meio a um buffet branco como a sua roupa e vazio...rs) me fez rir desenfreadamente graças ao YouTube. Ao lado as aberturas de novela fariam daqueles minutos, horas dali pra frente.

Vi aberturas que me lembraram uma infância, que se não fossem elas e os desenhos animados, acho que teria sido um caos, rs. Cambalacho, Te Contei, Marrom Glacê... e fui me deliciando no YouTube com tantas e tantas... Cheguei aos anos 90 e não me contentando, me deparei com O Clone, de Glória Perez e, intrigada, resolvi ver capítulos em que Jade (Giovana Antonelli) dançava para Lucas (Murilo Benicio, que foi um lixeiro lá atrás em Fera Ferida). Fui tomada pela novela como se a história estivesse sendo contada a mim pela primeira vez... e fui mais longe... até ao que acontecia comigo na época em que a novela foi veiculada.

Hoje vejo que você era muito jovem para entender tudo aquilo. Eu, nem tanto.
Hoje talvez você entenda, mas sorry, estou mais a frente. Precisei estar, pois do contrário não seguiria em frente e não evoluiria, como deve ser. Senti muito, por muito tempo, e se eu parar para pensar ainda dói um pouco, mas é como estivesse acostumada a essa dor, portanto ela não me move, não me entristece. Repousa onde está como uma marca do tempo, necessária para ver o que há de melhor e belo que dever ser valido, certo e empreendido.

Como diz Marcus Viana, "saltamos de um abismo, sem olhar pra trás".
Dar-me a chance é a melhor forma. Não existem fórmulas para chegar ao certo e não há sofrimento que nos leve ao que é certo.

Minha felicidade foi ter feito a coisa certa. Escolhi a mim e ponto.

E a vida se refez, felizmente :)



domingo, 26 de setembro de 2010

Eu

pelo tempo e distância das letras, dos papéis e textos,
(distância que respeito, pois cada parte do meu cérebro doía ao pensar), precisei parar.
hoje vejo que parar pra mim não pode ter um tempo maior que uma semana, nunca.
o ócio criativo pra mim não existe.
lá fora chove e estou quase catatônica na frente deste post.
as palavras saem por si mesmas das minhas mãos, pois pela cabeça nada, nada se passa.

o único sentimento que me toma agora juntamente com a chuva é a saudade que sinto de vc.
mas isso definitivamente não é um texto sobre isso.

isso é um texto?

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Se bastar

Escolher o caminho, dirigir-se como deseja para onde quiser desde que respeite quem está a sua volta. Isso é possível bastando-se.

É dificil entender as batalhas alheias, quando já é tão difícil entender as nossas.
Compartilha-se respeitosamente o quanto se pode, mas há coisas que só nós podemos compreender.
Não sou partidária de mim mesma - perco horas procurando os porquês de qualquer coisa que faço, prefirindo os espinhos justos e noites mal dormidas, que flores injustas enquanto outros deveriam ganhá-las.
Às vezes estar só é o que basta. 
Estar calado diante de tudo e todos, procurando seu lugar no anonimato, sem precisar de qualquer esforço para ser você mesmo.

Quero um lugar assim, onde posso aos quase 37 anos, ser eu. Me confortar com minhas escolhas, meu jeito, poder refletir e voltar decidida do que posso fazer em relação a coisas que não dependem só de mim, mas que a minha parte com certeza está condizente com o que sou, o que sei e aprendi.

Passagem só de ida? Nunca.
Volto pra sonhar mais, me encontrar mais e aprender mais. Mas é preciso estar só, é sabido por todos.

Volto logo.

Beijos

Simone



quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Satellite heart


Final de tarde,

O ventilador insiste em conseguir aplacar o calor, mas não consegue. A luz do final da tarde ainda penetra as janelas, e eu aqui pensando não sei bem em que.

Aliás tenho o hábito de pensar em muitas coisas ao mesmo tempo e não chegar a conclusão nenhuma sempre. Sempre deixo pra concluir depois. Talvez seja por isso que a vida sempre me coloca diante do espelho me cobrando coisas que decidi que resolveria depois... Essa situação sempre é desconfortável pra mim.

É... hoje não há mais espaço para isso. Enfim chegou a hora. Posso ser quem sempre quis!

Welcome to the Jungle e (ou) Para um amor no Recife




2010 começa pra mim, de fato, dia 29 de janeiro. Passo 15 dias em suspenso conseguindo fazer poucas coisas, devido a problemas de saúde de longos tempos...

Regressei a Sampa dia 3 e ainda não aceitei o início do ano, acho. Talvez pelo meu estado de estar "em suspenso" ainda não consegui digerir que o ano começou. A impressão que tenho é que meu corpo dá pane quando coisas de fato mudam em minha vida, felizes ou não. Esse problema pelo qual passo hoje é velho... e caducará em breve, pois o eliminarei da minha vida - sábias palavras para quem detesta viver de mazelas.

Perceber que a cidade me engoliu assim que cheguei não me fez muito bem. As mil e uma cobranças subjetivas fizeram um pouco a Simone surtar...

Fico tentando resgatar as boas vibrações e boas companhias e energias recebidas no final do ano. As festas do final de 2009 tiveram um sentido muito especial pra mim. É nela que tenho as recordações do coração preenchido, da alegria inebriante...e isso me dá um "up" sempre que escorrego e ameaço caír.

A dieta é sufocante, e as canções ainda não me invadiram, apesar da tentativa.

O cinema ainda não me emocionou, apesar do tempo para descansar.

Tudo o que tenho é um sorriso tolo e feliz, "para um amor no Recife", que está mais perto do que qualquer um que outrora tentou sê-lo.

"Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo"  Walter Franco.

Ainda não estou pronta, mas estarei 2010! Me aguarde!

Welcome to the Jungle, Simon. Por enquanto...rs...




sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Surprise, You´re Alive





Se estivéssemos nos anos 90 você acreditaria ser uma alusão a música: "Surprise, you´re dead" do Faith no More. Será que pensei nisso quando resolvi intitulá-lo? Pois bem, resolverei isso até o fim deste post.

Notável reparar a razão pela qual músicas fazem sucesso abastecendo-se de derrotas, tristezas, distâncias e poucas falam de felicidade e vendem.

Falei muito sobre a condição da solidão, das madrugadas preenchidas por livros, obrigações, trabalhos quase que intermináveis e também da solidão de estar acompanhada e nem tanto assim, neste blog. Vide posts anteriores.

Falar de estar feliz não rende conversa de corredor no trabalho e sim enfadonhos olhares de despeito ou um quê de: " ah, tá, meu bem...". Estar feliz rende bocejos alheios. Até na hora de encontrarmos canções para sorrir e lembrarmos de quem amamos, lá estão - as canções tristes.

Surpresa - você está vivo!

Tem hora que as mazelas cansam (e se cansam), e o que importa de verdade é a delícia de sentir-se vivo no corpo de alguém, sem frescuras.

Viver com intuito é tão diferente, principalmente quando pensamos com um partner.

Viver só é gostoso, mas tem que ter data pra acabar, caso contrário a vida não tem graça.

Sobre "Surprise..." ah ta...deixa pra lá... rs. Hoje só dá pra escutar "Epic".

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

As flores de plástico não morrem


É difícil sentir, explicar, tentar compreender e fazer-se entender. É assim que se sente quem sofre de enxaqueca.

Por tensão ou seja qual for a causa, procura-se sempre um jeito de adequar-se ao cotidiano as emoções, mas enquanto ela não passa, sentimo-nos num ambiente artificial, plástico, onde nada parece ter vida. E pra fazer as pessoas entenderem isso?

Hoje desejei ser como as flores de plástico que de nada precisam para viver... as vezes apenas um pouco d´agua para tirar o pó.