
Há muito assisto aos filmes de Wong Kar-Wai e fiquei surpresa com sua atitude de fazer um filme com atores holywoodianos...
Fiquei ainda mais surpresa por escolher Norah Jones como protagonista do filme, intervindo nos seus estudos de atuação... Foi aí que Kar-Wai me convenceu com sua vontade: Ele queria a atmosfera de Nora Jones como cantora e intérprete no papel. Isso me arrebatou.
Apesar de ter tido em mãos “Amores Expressos” (Chungking Express ,1994) e não tê-lo visto, diz meu irmão (outro apreciador de Kar-Wai) que o filme tem muitos elementos dele, assim como toda a sua trajetória cinematográfica onde os personagens e suas nuances, intercalam-se, sugerem-se.
Foi um dia difícil, o domingo passado 11/5. Decidir entre o esgotamento dos livros de cinema, entre eles Bazin, Aumont, Arlindo Machado e André Parente para a Iniciação Científica e me permitir o deleite de ir ver My Blueberry Nights... cedi e "paguei o pato" de escrever até as 3 da manhã parte de um capítulo para entregar à minha professora.
Em princípio a leveza da voz de Jones e de Cat Power chega a ser magnetizante. Os diálogos sempre tão bem construídos, poéticos, quase suspensos do chão todo tempo ... mas o filme arde... Arde sobre a vontade do homem de ser feliz, o ardor da perda, o ardor do desejo de trabalhar meses para chegar a algum lugar e arde de paixão ao sentir a boca sendo beijada com vestígios de uma torta de Blueberry.

A leveza das vozes na trilha compreendo tranquilamente, mas o tempo me falta para sentir esse ardor que o filme imprime. Há muito não consigo parar para sentir tais desejos com a intensidade de outrora...
Obrigada Kar-Wai, mesmo quando holywoodiano você consegue impressionar.